quinta-feira, 31 de março de 2016

A extraordinária vida associada às carcaças de baleias no mar profundo

Por Joan Manel Alfaro Lucas

Esta história começa em 1987 quando, em uma expedição oceanográfica liderada pelo Dr. Craig Smith, da Universidade do Havaí, na Bacia de Santa Catalina, California, o submersível de pesquisa Alvin achou uma carcaça de baleia no assoalho marinho a 1240 metros de profundidade (Smith et al. 1989). Esta descoberta reforçou uma ideia que já tinha sido sugerida anteriormente... Mesmo sendo comum a morte de baleias nas zonas costeiras, muitas morrem em regiões bem afastadas das praias afundando-se até as profundezas do oceano, no que é conhecido como o mar profundo. 

O mar profundo ocupa 63% da superfície do planeta sendo considerado o maior bioma da Terra. É um ambiente único e extremo, pela baixa temperatura, alta pressão e escuridão (a luz não penetra mais de 200 metros de profundidade, onde de fato começa o mar profundo). A ausência de luz impossibilita a produção de matéria orgânica a partir da energia solar, ou seja, a fotossíntese. Por causa disto os ecossistemas são muito pobres em recursos alimentares e dependem quase exclusivamente  do afundamento de matéria orgânica produzida na superfície do oceano. Por exemplo, as partes mais extensas do mar profundo, as planícies abissais, são autênticos desertos escuros e frios, onde baixíssimas abundâncias de organismos sobrevivem filtrando água e sedimento, aproveitando a pouca matéria orgânica que chega da superfície. 

Voltemos para a baleia da Califórnia do Dr. Smith. Alguns indícios, como a total ausência de carne, apontavam que a carcaça  encontrava-se a vários anos no assoalho marinho. Mesmo assim, tanto o esqueleto como os sedimentos ao redor, “fervilhavam” de vida. Vermes, caramujos, lapas (gastrópodes), densos tapetes de bactérias, bivalves como amêijoas e mexilhões... Aquela carcaça era realmente um oásis de vida no profundo e deserto fundo da bacia. Foi então que os cientistas começaram a entender que para um ambiente tão pobre em alimento a chegada de uma carcaça de baleia é um evento extraordinário. 

As baleias são os maiores animais que habitam a Terra. A baleia azul, por exemplo, pode atingir 30 metros de comprimento e 120 toneladas de peso, sendo o maior animal que já habitou nosso planeta. Para as desertas profundezas do assoalho oceânico as carcaças de baleia são as maiores fontes de matéria orgânica que chegam da superfície. Só uma carcaça de baleia de 40 toneladas significa 2000 anos de queda de matéria orgânica! 


Figura 1. Carcaça de baleia no assoalho marinho 
profundo na Bacia de Santa Catalina, Califórnia, 
densamente colonizada por tapetes de bactérias 
quimiossintetizantes. Fotografia de Craig R. Smith,
 Universidade do Havaí, EUA.
Alguns dos organismos achados na carcaça pelo time do Dr. Smith tornaram-se muito mais relevantes quando identificados. É o caso, por exemplo, das espécies de bivalves que pertencem a  grupos conhecidos por ter simbiose com bactérias quimiossintetizantes. Estes mexilhões, então, alimentam-se da matéria produzida por estas bactérias, um processo parecido com o que os corais de águas rasas fazem com organismos fotossintéticos. Além disso, os densos tapetes bacterianos achados na carcaça também pertenciam a este tipo de bactéria. 



De fato, semelhante aos vegetais nos ambientes terrestres, as bactérias quimiossintetizantes no mar profundo formam a base da cadeia alimentar, onde a disponibilidade de certos compostos inorgânicos é abundante, originando o que é conhecido como comunidades quimiossintéticas de mar profundo. É o caso das fontes hidrotermais, formadas em partes do assoalho onde a atividade vulcânica é elevada e as exsudações são frias, resultado do fluxo de hidrocarbonetos provenientes de reservatórios do subsolo, descobertas anteriores  à carcaça do Dr. Smith (saiba mais sobre fontes hidrotermais neste post). As espécies de bivalves associadas à carcaça também foram descobertas pela primeira vez em fontes hidrotermais e exsudações frias! Todas estas similaridades levaram a sugerir que as carcaças de baleia atuam como trampolins para habitantes comuns entre diferentes comunidades quimiossintéticas se dispersarem, pois normalmente estão separadas por distâncias gigantescas impossíveis de serem alcançadas pela dispersão de suas  larvas (Smith et al. 1989).

Este descobrimento, além de revolucionar a ecologia das comunidades quimiossintéticas, levou várias equipes de cientistas a pesquisarem mais sobre estes ambientes. Para não ter que achar a agulha no palheiro, ou seja, uma carcaça no imenso fundo oceânico, os cientistas começaram a afundar carcaças nas praias utilizando lastro. Assim eles conseguiam afundar em um determinado ponto do oceano e fazer as amostragens como e quando precisar. Depois destes experimentos foi possível compreender que comunidades de carcaça de baleia no mar profundo desenvolvem não só comunidades quimiossintéticas, mas sucessivas  comunidades extremamente diversas e abundantes que exploram as carcaças de maneiras surpreendentes… por quase um século!


Figura 2. Peixes-bruxa se alimentando da carne de
 uma carcaça de baleia durante o estado ecológico
 de necrófagos móveis na Bacia de Santa Catalina,
 Califórnia, EUA. Fotografia de Craig R. Smith, 
Universidade do Havaí, EUA.
As carcaças de baleia desenvolvem principalmente três estados ecológicos  sucessivos, ou seja, três comunidades mais ou menos diferenciadas no tempo (Smith et al., 2015). O primeiro, o estado dos necrófagos móveis, começa com a chegada da carcaça no assoalho. Centenas de animais, como peixes-bruxa, perfuram a carne da baleia enquanto que tubarões de profundidade mordem grandes pedaços da carcaça. Estas comunidades, análogas aos urubus na savana, removem várias dezenas de quilogramas por dia e podem consumir toda a carne em até 2 anos dependendo do tamanho da carcaça.


Figura 3. Caranguejos, caramujos e anêmonas colonizando
 o esqueleto durante o estado de enriquecimento e oportunistas
 numa carcaça de baleia no Canyon de Monterey, Califórnia, EUA. 
Fotografia do Monterey Bay Aquarium Research Institute, EUA.
O segundo estado, o estado de enriquecimento e oportunistas, também pode durar até 2 anos. Durante este período altíssimas densidades de invertebrados, vermes e crustáceos, colonizam o sedimento ao redor do esqueleto exposto por causa do consumo da carne. Estes invertebrados alimentam-se diretamente dos restos de gordura e carne deixados pelos necrófagos assim como dos ossos, muito ricos em proteína e gordura.


O último estado, aquele da baleia do Dr. Smith quando descoberta, é o estado sulfofílico. Alguns microorganismos conseguem penetrar na densa e dura matriz óssea e entrar facilmente nas grandes quantidades de gordura do interior dos ossos. Estes organismos utilizam o enxofre dissolvido na água para digerir a gordura gerando compostos inorgânicos reduzidos como produto secundário. Um processo parecido pode acontecer também no sedimento ao redor impactado pela matéria orgânica da própria carcaça. Isto gera um fluxo suficiente para desenvolver uma comunidade baseada na quimiossíntese. É o estado mais longo de todos podendo atingir mais de 80 anos. 

As descobertas ao redor das carcaças de baleia no mar profundo não terminaram aqui. Desde que  em 1987 o Dr. Smith estudou a primeira carcaça no mar profundo, 129 espécies novas têm sido descobertas, muitas delas só se encontram nestas comunidades. A mais surpreendente aconteceu no ano 2002 quando Osedax, um novo gênero de vermes, foi descoberto no Canyon de Monterrey, Califórnia, a 2891 metros de profundidade (Rouse et al., 2004). As espécies deste gênero são sésseis e não possuem nem boca nem ânus, nem nenhum tipo de sistema digestório… e alimentam-se dos ossos das baleias! 

Osedax possui uma estrutura chamada de raiz e é lá onde encontra-se a resposta aos múltiplos mistérios que envolvem estes organismos. Esta estrutura, com ramificações globulares e que fixa o organismo nos ossos, possui bombas de prótons que acidificam a matriz óssea. A “sopa” produzida por este processo é ingerida pela própria raiz e transportada às  estruturas internas chamadas de bacteriocistos onde se encontram bactérias simbiontes não quimiossinteticas responsáveis pela digestão. Estes vermes são capazes de degradar completamente um esqueleto de baleia juvenil, menos calcificados e gordurosos que os dos adultos, em uma década. Impressionante, não é? espere… 

Todas estas estruturas e forma de vida só se aplicam  às fêmeas de Osedax. Os machos são anões, microscópicos, e  vivem dentro das fêmeas atuando como simples reservatórios de esperma. Acontece que as larvas de Osedax que se encontram em um esqueleto se desenvolvem como fêmeas;  porém se estas larvas encontram uma fêmea elas são absorvidas se desenvolvendo como machos pedomórficos, ou seja, apenas se desenvolvem sexualmente e não morfologicamente, retendo muitos caracteres de larva. Cada fêmea pode ter centenares de machos no que acredita-se ser uma estratégia para  assegurar o sucesso reprodutivo.

Figura 4. Osso de baleia densamente colonizado por 
Osedax no Canyon de Monterey, Califórnia, EUA (esquerda)
 e indivíduo de Osedax japonicus com a raiz de cor amarelada
 (direita). Fotografias do Monterey Bay Aquarium Research 
Institute, EUA, e Norio Miyamoto, da Japan Agency for
 Marine-Earth Science and Technology, respectivamente.
Organismos como Osedax demonstram que as carcaças de baleia não só são oásis de vida no mar profundo mas também uma fonte de novidades evolutivas, sendo capazes de sustentar formas de vida únicas e especializadas. Mas… Será que as carcaças de baleia no mar profundo sustentam comunidades parecidas em todas as bacias oceânicas? Ou, como nas fontes hidrotermais, cada bacia sustenta comunidades com histórias evolutivas diferentes? Este tipo de pergunta ainda  é muito difícil de responder pois praticamente todas as carcaças naturais e implantadas tem sido estudadas no oceano Pacífico Norte. 

Só  em 2010 uma carcaça natural foi descoberta na Antarctica e, mais recentemente,  em 2013, no Atlântico Sudoeste profundo na  costa do Brasil, também foi encontrada  uma carcaça natural. Esta última, descoberta e estudada por pesquisadores brasileiros e japoneses, e tema do meu projeto de mestrado na Universidade de São Paulo,  foi a primeira comunidade a ser estudada em todo o Atlântico profundo. Os resultados  das pesquisas estão começando a sair reforçando algumas hipóteses prévias e esclarecendo ainda o funcionamento de alguns processos ecológicos…

Muitas são as perguntas a serem respondidas e muitas mais serão geradas no futuro pois parece que estas extraordinárias comunidades, desconhecidas há menos de 30 anos, são uma fonte inesgotável de surpresas.

Referências, links de interesse e vídeos:
Smith, C.R., Kukert, H., Wheatcroft, R.A, Jumars, P.A., Deming, J.W. (1989) Vent fauna on whale remais. Nature, 341. Pp 27-28.
Rouse, G.W., Goffredi, S.K., Vrijenhoek, R.C. (2004) Osedax: Bone-Eating Marine Worms with Dwarf Males. Science, 305.Pp 668-671.
Smith, C.R., Glover, A.G., Treude, T., Higgs, N.D., Amon, D.J. (2015) Whale-Fall Ecosystems: Recent Insights into Ecology, Paleoecology, and Evolution. Annual Review of Marine Science, 7. Pp 571-596.







Sobre Joan Manel Alfaro Lucas:

Biólogo formado pela Univeristat Autònoma de Barcelona, Barcelona, fiz um ano de intercâmbio na Universidade Federal de Minas Gerais, o que me permitiu, entre outras coisas, conhecer o Brasil e aprender português. Apaixonado pela ecologia das comunidades de mar profundo, especialmente as quimiossintéticas, cursei o meu mestrado no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, onde tive a oportunidade de estudar a primeira carcaça de baleia no oceano Atlântico profundo. Além disso, possuo experiência em cruzeiros oceanográficos, tendo navegado 2800 milhas náuticas pelo Atlântico Sudoeste, fazendo amostragem, triagem e identificação de invertebrados bênticos, análise de isótopos estáveis e linguagem R para pesquisas ecológicas. 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Os sons do oceano

 Por Diogo Barcellos

Não há dúvidas quanto à importância dos predadores do topo da cadeia alimentar para o nosso planeta, e muito menos de quão valioso é cada elo que compõe uma determinada cadeia para o equilíbrio de diversos ecossistemas. Os predadores de topo de cadeia, quando representados por uma modelagem (através de uma representação simplista, como um desenho) em formato de gráfico de pirâmide trófica, estão posicionados no topo, ocupando menor área da representação por serem consumidores finais, afinal, já não há tanta energia disponível em relação aos outros níveis tróficos, os quais compõem os degraus da pirâmide. Lembrem-se que a energia conquistada com o alimento serve para muitas coisas, além de perdemos grande parte dessa energia simplesmente como calor.

Figura 1 – A: ilustração da Eubalaena australis (baleia franca austral) se alimentando do recurso em suspensão na coluna de água. Efetua a filtragem do alimento através de barbatanas composta por queratina. B: Foto da Inia geoffrensis (boto cor de rosa) aprisionando um peixe através de dentes ósseos.

Estes animais são menos numerosos, quando comparados à população de suas presas, mas não menos importantes. A vulnerabilidade de populações de predadores naturalmente pequenas tem levado muitos pesquisadores a investigarem os mais diversos temas da biologia destes animais com fins de conservação, já que cada organismo do ambiente marinho, como exemplo, os mamíferos marinhos da ordem dos cetáceos (baleias e golfinhos), possuem particularidades em relação à sua importância e contribuições no ecossistema marinho.

Este grupo de mamíferos, além de consumidores, vetores de nutrientes, são prestadores de serviços ecossistêmicos. Contribuem com a produtividade biológica, com o enriquecimento de nutrientes através da defecação, muitas vezes provocando a ressuspensão de nutrientes ao se movimentarem pela coluna de água, contribuindo com os ciclos biogeoquímicos e aumentando a intensidade da fotossíntese com a dispersão dos nutrientes. Quando morrem, efetuam a transferência de carbono da superfície até águas profundas onde em regiões abissais fornecem as carcaças como habitat e estrutura de apoio de assembleias bióticas. Além desses aspectos, são considerados como sentinelas dos ecossistemas aquáticos por acumular todos os compostos químicos orgânicos e inorgânicos da teia trófica local.

Os cetáceos se destacam também entre os grupos de organismos que evoluíram dependentes do uso do som em meio aquático. Ou seja, os golfinhos e baleias emitem sons com diferentes propósitos, por exemplo, para atrair parceiros para cópula, para expressões de alerta entre predadores e presas e delimitação de território. Este grupo de mamíferos usufrui das propriedades físicas do som quando se considera que a energia acústica, quando emitida em meio aquático, se propaga de forma mais eficiente do que em ambiente aéreo. Dependendo da taxa de frequência e energia acústica investida, o som pode atingir longas distâncias, propagando-se em velocidade 4,3 vezes mais rápido do que  no meio aéreo.

Figura 2 – Ilustração do processo de emissão e interpretação dos impulsos sonoros emitidos pelos odontocetos. As linhas vermelhas representam os clicks emitidos e amplificados pelo melão (uma estrutura que fica localizada no crânio de cetáceos, formada por gordura e lipídeos, ótimo amplificador de ondas sonoras). Os cliques da ecolocalização atingem o alvo, podendo ser este um peixe. Os ecos dos cliques refletem (representados pelas linhas pontilhadas) e provocam a vibração da mandíbula do animal. A gordura localizada nesta região transmite a informação para a bula timpânica, para o impulso sonoro ser interpretado no sentido geoespacial do odontoceto. Retirado de Castro & Huber (2012).



Figura 3 – Cliques de ecolocalização representados no 
espectograma. Espectograma é uma representação gráfica
 do som através da transformação do teorema de Fourier,
 com escala de tempo (em segundos) na horizontal em 
relação frequência (kHz), na vertical. No caso dos 
cliques de ecolocalização, os sons são emitidos em
 curto espaço de tempo.
Além disso, o som pode ser utilizado como um processo de percepção ativa, envolvendo a produção e a recepção de ondas, ou seja, a ecolocalização. Neste caso o som é utilizado como referência geográfica. Este processo envolve a produção de som, geralmente emitido em um curto intervalo de tempo e em alta frequência, cujo eco ou reverberação no ambiente é interpretado e utilizado como auxílio na orientação ou na captura de uma presa. Resumidamente, o som pode ser utilizado pelos cetáceos com funções de comunicação e sociabilidade, assim como em um sistema de georreferenciamento.



Cliques de ecolocalização da baleia cachalote (Physeter macrocephalus).


Entretanto, nem todos os cetáceos ecolocalizam. Entre os cetáceos viventes há dois grupos principais: os misticetos (comumente reconhecidos como baleias) e os odontocetos (golfinhos), os quais podem ser diferenciados, por exemplo, pelos seus aparatos bucais e utilização destes para captura de alimento. Outra maneira de diferenciar esse dois grupos é por meio das características do repertório sonoro. Apesar dos misticetos e dos odontocetos emiterem sons,  apenas os odontocetos são reconhecidos como ecolocalizadores.

Figura 4 – Espectograma de assobio de Tursiops truncatus
 (golfinho nariz de garrafa). Os sons emitidos com 
mais intensidade e com padrão em frequência e duração
 em tempo representam o desenho do assobio do 
golfinho nariz de garrafa no espectograma.


Assobios do golfinho nariz de garrafa 
(Tursiops truncatus). 
Além dos cliques de ecolocalização, os odontocetos emitem sons para comunicação, por exemplo, os assobios. Os assobios são emitidos em taxas de frequência sonora entre 500 Hz e 5 kHz, em curta duração, entre segundos e milisegundos, e podem ser emitidos com repetições. Por outro lado, os misticetos emitem sons mais prolongados, podendo durar de minutos a horas e, em geral, utilizam espectro de baixa frequência sonora (aproximadamente 1 kHz) para se comunicarem. O repertório sonoro de misticetos pode ser dividido em duas categorias gerais, conhecidos como melodias/canções e chamados (calls). Muitas das emissões sonoras emitidas pelos cetáceos não são audíveis ao ouvido humano, já que a faixa audível para o ser humano em meio aéreo se encaixa entre 20 Hz (sons considerados graves) e 20 kHz (sons considerados de timbre agudo), dependendo da intensidade emitida pela fonte emissora.


Estudos de acústica de cetáceos são geralmente realizados com a gravação de sons emitidos com uso de hidrofones: sensores que funcionam da mesma maneira que um microfone, com diferença que os hidrofones foram desenvolvidos para serem utilizados imersos em água. Estes dispositivos captam e convertem as vibrações sonoras em sinais elétricos, os quais são registrados em gravador ou computador, gerando arquivos digitais que podem ser analisados com apoio de programas computacionais específicos.

Figura 5 – Hidrofone fundeado a 7 metros de profundidade. A cada mês o hidrofone é substituído por outro igual para que o monitoramento acústico permaneça.

O Monitoramento Acústico Passivo (MAP) tem sido utilizado como ferramenta para a detecção e estimativa de abundância de cetáceos, podendo relacionar sua ocorrência com sazonalidade, comportamento e uso de área. O equipamento utilizado para realizar o MAP é composto por um hidrofone acoplado a uma placa eletrônica e um conjunto de baterias e pode ser programado previamente em computador para efetuar gravações sonoras contínuas ou em intervalos de tempo. Através de sua aplicação, é possível monitorar a presença de cetáceos continuamente, independentemente das condições climáticas e oceanográficas, tendo apenas como fator limitante o consumo do cartão de memória e das baterias.

Canto da baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae). 


Chamado da baleia jubarte (Megaptera novaeangliae).

Monitorar o uso de área de cetáceos através da acústica é uma tarefa desafiadora quando considerado que esta linha de pesquisa encontra-se nos primeiros passos no Brasil. Como doutorando nesta área interdisciplinar, posso dizer que a experiência e o aprendizado são constantes e cada etapa é incrivelmente motivadora, desde o aprendizado sobre a biologia dos cetáceos, o estudo da história da bioacústica, as propriedades do som, a acústica de cetáceos e seus repertórios, a escolha do local de estudo, a projeção de fundeios e técnicas para anexar o hidrofone, as coletas de dados e triagens e por fim a identificação do som dos cetáceos nas gravações. Não deixo de mencionar a ansiedade em detectar o os sons dos cetáceos nas gravações obtidas a cada mês. Em geral, os sons mais frequentes que obtenhosão sons de crustáceos, de bexiga natatória de peixes e ruídos gerados por embarcações. Como mencionado anteriormente, “em menor número, mas não menos importante”, no mundo sonoro subaquático os sons de cetáceos não são tão frequentes, mas quando obtidos e quando se torna possível a identificação das espécies, todo o esforço é recompensado.

Referências:
Au, W.W.L.; Hastings, M.C. 2008. Principles of Marine Bioacoustics. Springer, p. 670.
Castro, P. & Huber, M.E. Biologia Marinha. Ed. Artmed, 8 edição.
Griffin, D.R.; Novick, A. 1955. Acoustic orientation of neotropical bats. Journal of Experimental Zoology, v. 130, p. 251-300.
Payne, R.S. & McVay, S. 1971. Songs of humpback whales. Science, v. 173, p. 585-597.
Pershing, A.J.; Christensen, L.B; Record, N.R. 2010. The impact of whaling on the ocean carbon cycle: why bigger was better. PlosOne, v. 5, n. 8,p. 1-9.
Roman, J.; Estes, J.A.; Morissette, L.; Smith, C.; Costa, D.; McCarthy, J.; Nation, J.B.; Nicol, S.; Pershing, A.; Smetacek, V. 2014. Whales as marine ecosystem engineers. Frontiers in Ecology and the Environment, v. 12, n. 7, p. 377-385.
Roman, J.; McCarthy, J.J. 2010. The whale pump: marine mammals enhance primary productivity in a coastal basin. PlosOne, v. 5, n. 10, p. 1-8.
Urick, R.J. 1983. Principles of underwater sound. 3rd ed. McGraw-Hill, New York, p. 17-30.


Sobre Diogo Barcellos
Sou biólogo (graduado e licenciado) pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011). Durante a graduação desenvolvi estudo da dieta de três espécies de peixes do estuário de Itanhaem, litoral sul do Estado de São Paulo e fiz um estudo de revisão bibliográfica a respeito das modificações morfológicas de vertebrados durante a transição do meio aquático para o meio terrestre. Em 2014 conclui Mestrado em Ciências pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). Durante o mestrado desenvolvi estudo sobre a morfologia dos estatólitos, crescimento e longevidade da lula Doryteuthis plei. Durante a minha transição entre o final do mestrado e início do doutorado, iniciei estudos relacionados com acústica de cetáceos. Sempre carreguei dúvidas e curiosidades a respeito do ambiente marinho e da música. Em Julho de 2015 iniciei o meu doutorado no IO-USP. Desenvolvo um estudo de monitoramento de cetáceos via acústica em duas áreas no Estado de São Paulo: Canal de São Sebastião e na Ilha Anchieta, em Ubatuba.







segunda-feira, 7 de março de 2016

Mulheres do século 21 com comportamentos do século 20 e tarefas do século 19

Por Cássia Gôngora Goçalo e Catarina Marcolin


Desde o século 19 já havia mulheres desempenhando papéis de destaque como cientistas. Por exemplo, Bertha Lutz (filha de Adolfo Lutz) nasceu no século 19 e foi bióloga, ativista, feminista e pioneira na luta pelos direitos das mulheres no início do século 20. Se tornou um ícone para as mulheres cientistas brasileiras. Ela foi sensacional no seu tempo, quebrando tabus e lutando pelo reconhecimento da mulher pela cidadania, num tempo onde isso era inconcebível! Assim como Sylvia Earle, nascida no século 20, que enfrentou a comunidade científica e fez com que as mulheres deste blog tivessem admiração por ela. Leiam mais sobre a vida desta incrível cientista aqui



Figura 1. Bertha Maria Júlia  Lutz, zoóloga especialista em anuros e  ativista feminista durante o século 20. Fonte: http://www.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/902173


E hoje, século 21, ainda vemos diferenças e preconceitos entre os gêneros, o que parece inacreditável, mas nem por isso é menos real!


Figura 2. Sylvia Earle, bióloga marinha e pioneira 
na inclusão de mulheres em expedições científicas. 
Fonte: http://www.oceancrestalliance.org/wp-content/
uploads/2014/02/Sylvia-Earle-in-a-Deep-Rover_horiz.jpg

Decidimos escrever este post após refletir bastante ao longo das discussões expostas neste blog, na sessão Mulheres nas Ciências. Eu (Cássia) nasci em uma família cujo sobrenome significa Batalha (Gongora), na qual as mulheres não poderiam deixar de fazer jus ao nome, ou seja, são batalhadoras. Tenho orgulho de falar que são mulheres fortes, guerreiras, independentes, bem-sucedidas profissionalmente e financeiramente. E claro: Mães e Avós. Desde pequena escuto esta frase “Menina você deve estudar e trabalhar para ter seu próprio sustento e que nunca na sua vida você tenha que pedir para um homem comprar, nem sequer, um pacote de absorvente para você”. E enfim, hoje sou uma dessas mulheres. 










Figura 3. Orquídea Gongora por Margaret Mee. Flores resistentes com florações magníficas, espécies exigentes (como nós!) quanto às condições ambientais, ocorrendo em habitats específicos na Amazônia.



Eu (Catarina) também venho de uma família muito matriarcal, com mulheres fortes que perseguiram seus sonhos profissionais. Somos professoras, agrônomas, pesquisadoras e, como Cássia, também sempre fui incentivada a desenvolver o intelecto e a buscar a realização profissional e a independência financeira. E isso não veio somente das mulheres da família, meu pai sempre me chamava a atenção para que eu pensasse com minha própria cabeça e que formasse minhas opiniões com base em diferentes fontes e pontos de vista.
Apesar do meu contexto familiar favorável e de eu ter tido acesso à uma educação razoável, eu não sou imune a pensamentos e comportamentos machistas, vez ou outra. E é por isso que consideramos que a discussão sobre igualdade de gêneros, direitos humanos e muitos outros temas complexos, devem estar sempre presente no nosso dia, se reconstruindo e aprimorando. Um comentário que outrora parecia inofensivo, depois de ouvir outros pontos de vista pode parecer completamente inaceitável.

Apesar da discussão sobre igualdade de gêneros ser muito mais ampla nos dias de hoje, o que percebemos, como meras observadoras do mundo à nossa volta, é que estamos ainda longe da tão almejada igualdade. A maioria das nossas amigas/conhecidas assumiram tarefas antes ocupadas pelos homens, mas não abandonaram as tarefas dos séculos passados. Estudamos (muito), trabalhamos (demais), construímos uma carreira (sólida) e administramos uma família (com amor), cuidamos dos afazeres domésticos, da limpeza da casa e do preparo das refeições (com carinho), do pagamentos das contas, além de cuidarmos da saúde (da nossa, do marido/esposa e dos filhos) e da estética, e hoje parece que nos tornamos fortes, porém exaustas, mulheres do século 21. Essa sobrecarga de tarefas pode ser atribuída a uma cultura  inflexível de que as tarefas domésticas são uma obrigação primária da mulher. O homem quase nunca divide as tarefas domésticas e quando o faz, geralmente é  no segundo plano.

Além disso, precisamos nos perguntar se nós mulheres queremos realmente essa vida exaustiva e competitiva, acumulando tarefas, tentando fazer o tempo se multiplicar. Por outro lado, as mulheres que escolhem, de forma consciente, não casar e/ou não ter filhos, para se dedicar inteiramente à carreira e aos seus hobbys ou a qualquer outra atividade, frequentemente são vistas/julgadas como egoístas ou solitárias. Essa mulher é vista dessa forma inclusive por nós, mulheres esclarecidas do século 21.



Figura 4. A mulher maravilha do século 21. Ilustração de Caia Colla.

Nós temos energia, capacidade, disposição e muito orgulho do que conquistamos ao longo dos séculos, mas frequentemente ouvimos relatos de mulheres sobre essa sobrecarga de tarefas, pois ao longo dos anos, o que mais fizemos foi acumular funções (“Enquanto descanso carrego pedras” - frase constantemente citada pela bisavó da Cássia, no sentido de que após o trabalho, ainda há as tarefas caseiras para serem realizadas). Você não se cansa só de pensar sobre isso? E será que estamos mais felizes tentando desempenhar esse papel de mulher maravilha? Este papel é algo que nós escolhemos desempenhar ou nos foi designado? Quando entrevistada, Indra K. Nooyi, CEO da PepsiCo, contou sobre as dificuldades em lidar socialmente com sua escolha de priorizar a carreira e como ela acredita que mulheres de sucesso fingem que podem ter tudo, tentando conciliar um alto cargo executivo e os papéis de mãe, nora, filha, esposa (confira a entrevista completa aqui, é muito interessante!). Mas não estamos aqui para julgar suas escolhas, mulher do século 21, o que pretendemos com esse post é promover uma reflexão sobre isso. O mais importante é que cada mulher consiga encontrar as respostas dentro de si mesma e que seja honesta em seus relacionamentos. Precisamos escolher conscientemente quais atividades iremos desempenhar, sem culpa e sem imposição por terceiros.

No momento em que definir sua postura diante da sua própria vida, lembre-se que homens e mulheres do século 21 possuem comportamentos diversos e que apesar de ninguém se autodeclarar machista, muitos de nós ainda se comportam como companheiros(as) do século 20. E isso vale para qualquer tipo de relação onde sejam estabelecidos papéis tradicionais. Independentemente do comportamento alheio, saiba que cada uma de nós influencia as pessoas ao nosso redor, especialmente como futuras mães, tias e avós de homens e mulheres. E ser independente, significa liberdade em escolher os papéis a serem exercidos em nossas vidas (dona de casa, profissional, solteira, casada ou mulher maravilha). 
Nossa mensagem é: respeite as opções alheias, dentro do seu seio familiar  e profissional e passe a mensagem de que igualdade de gêneros é muito mais do que dividir tarefas domésticas ou igualdade salarial, é respeitar e reconhecer que entre homens, mulheres, gays, transexuais, transgêneros, etc., somos todos seres humanos. E muitas de nós somos novas mulheres com hábitos antigos... ainda. Não esqueçamos que ainda temos um longo caminho a percorrer.

Portanto, aproveite o Dia Internacional da Mulher e dedique-se à você!

Referências:


  • Gongora, B. 2002. Recordando passagens da minha vida. iEditora. São Paulo, 102 p.
  • Silva, M. F. da, Silva, J. B. da, Rocha, A. E., Oliveira, F. P., Gonçalves, L. S., Silva, M. F. D., & de Queiroz, O. H. (1995). Inventário da família Orchidaceae na Amazônia Brasileira: parte I. Acta Botanica Brasilica. p. 163 a 175
  • http://memoria.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/902173;jsessionid=524922C3FCF3F135300954E25C1260A9?p_p_state=pop_up&_56_INSTANCE_a6MO_viewMode=print



Sobre Caia Colla, autora do desenho deste post:
Sou Caia Colla. Mais uma mulher comum tentando administrar muitas bolas no ar. Trabalho período integral como técnica de laboratório no Instituto Oceanográfico, sou mãe de duas meninas lindas e esposa de um cara incrível. Mas meu dia tem muitos turnos e para sobreviver à pressão e ter prazer nas pequenas coisas preciso ser mais que isso. A arte me salva. Espanto os maus espíritos cantando numa banda e os meus demônios através do desenho. E assim sigo, sendo muitas em uma.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Fatos sobre as Unidades de Conservação no Brasil




Fonte: Greene Soluções Ambientais
No ano de 1934 surgia o primeiro Código Florestal brasileiro, em resposta à grande expansão cafeeira que acontecia na época, principalmente na região Sudeste (quer saber mais sobre o código florestal, clique aqui). Ele estabeleceu o marco legal dos parques nacionais, sendo que em 1937 criava-se o primeiro parque brasileiro, o do Itatiaia, localizado nas montanhas da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Depois vieram o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, também no estado do Rio de Janeiro, e os parques nacionais das Sete Quedas e do Iguaçu, em 1939. E aqui vale fazer uma pequena ressalva, o Parque Nacional das Sete Quedas incluía as Cataratas de Guaíra, maior cachoeira do mundo em volume de água, até o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu.

Parque Nacional do Itatiaia, primeiro parque brasileiro. Fonte: Link

E desde então diversos outros parques e unidades de conservação (UCs) das mais diferentes categorias foram criadas (leia mais sobre parques aqui). Mas minha pergunta com esse novo post é a seguinte: qual a situação das UCs no Brasil?

Para se ter uma noção mais clara do esforço de conservação em andamento no Brasil, é importante comparar a situação das áreas protegidas para conservação no país com a de outros países.

O esforço de conservação mundial tem avançado muito nos últimos anos. Em 1985, apenas 3,5% do território mundial estavam protegidos; em 2008 já eram 12,8%. O Brasil foi o destaque nesse esforço recente, pois foi o responsável por 74% das áreas protegidas mundiais criadas de 2003 a 2008, correspondendo a 703.864 km², principalmente na Amazônia (JENKINS & JOPPA, 2009).

Enquanto o Brasil tem aproximadamente 28% de seu território continental e 2% de áreas marinhas protegidas na forma de UCs, no mundo apenas 15,7% dos territórios terrestres e 8,4% das áreas marinhas encontram-se atualmente sobre alguma proteção legal (WDPA, 2014). Em termos relativos à área terrestre sob proteção sobre área total do país, ao compararmos a situação brasileira com a do grupo dos países mais desenvolvidos mais a Rússia, conhecido como G8, o Brasil (20%) fica atrás apenas da Alemanha (38%) e França (26%). Ou seja, o país tem, proporcionalmente, mais áreas protegidas do que os países mais ricos, tais como, Reino Unido (14%), Estados Unidos (13%) e Japão (2%) (WDPA, 2014).

Distribuição espacial das áreas protegidas. Verde: áreas terrestres; Azul: áreas marinhas. Fonte:  UNEP-WCMC 2014. Relatório disponível em: <http://wdpa.s3.amazonaws.com/WPC2014/protected_planet_report.pdf>

Contudo, apesar do expressivo crescimento do sistema e de sua posição de destaque no cenário internacional, a efetiva implementação das UCs brasileiras ainda deixam muito a desejar já que é grande o número de unidades em todas as esferas governamentais, com inúmeras lacunas e fragilidades: regularização fundiária pendente, falta de funcionários e infraestrutura básica, ausência de plano de manejo ou planos de manejo não revisados, entre outros.

A maior parte dos problemas enfrentados tem a mesma causa em comum: recursos insuficientes para sua implementação e manutenção! Os recursos alocados, infelizmente, são insuficientes e não vêm acompanhando a expansão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Segundo o MMA (2009), o orçamento federal para as unidades de conservação é praticamente o mesmo desde o ano 2000 (cerca de R$300 milhões/ano), observando um aumento apenas 6,83% entre os anos de 2000 e 2008, enquanto no mesmo período a área somada das UCs federais teve uma expansão de 78,46%.


Fonte: Link
Somadas todas as fontes de recursos disponíveis, o orçamento federal para as Unidades de Conservação atingiu R$ 331 milhões em 2008, um valor muito abaixo das necessidades mínimas para a gestão efetiva das UCs. De acordo com estimativas, para que o SNUC funcione plenamente, seriam necessários gastos correntes anuais da ordem de R$543 milhões para o sistema federal e de R$ 361 milhões para os sistemas estaduais, além de R$ 611 milhões em investimentos em infraestrutura e planejamento no sistema federal e de outros R$ 1,18 bilhão nos sistemas estaduais (MMA, 2009).

Este cenário é mais dramático quando são comparados os orçamentos para as áreas protegidas no Brasil com o de outras nações. Embora na comparação com outros oito países o Brasil ocupe posição intermediária e à frente de países em desenvolvimento, ele se posiciona abaixo da metade dos recursos necessários para consolidação do sistema e representa o menor investimento por hectare. Países como o México e a África do Sul investem entre dez e dezessete vezes mais que o Brasil na manutenção dos seus sistemas por hectare de área protegida.

Voltaremos a falar mais sobre Unidades de Conservação, principalmente as marinhas. Aguardem!

Referências citadas:

Jenkins, C.N.; Joppa, L. 2009. Expansion of the global terrestrial protected area system. Biological Conservation, 142: 2166–2174.

MMA. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. 2009. Disponível em: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=119&idConteudo=9677&idMenu=11809

WDPA, 2014. World Database on Protected Areas (WDPA). <http://www.wdpa.org>.

Deixo aqui meu enorme agradecimento à Barbara Banzato, José Augusto Auroca e Juliana Carbonari, que colaboraram com a elaboração do texto o qual me basiei para resumir nesse post.