quinta-feira, 19 de abril de 2018

Estudo dos Oceanos é a chave para um futuro sustentável

Por Vivian Kuppermann Marco Antonio


Ilustração: Joana Ho.

Vocês sabiam que a próxima década (2021-2030) foi declarada pela ONU como a década da ciência dos oceanos?

Os oceanos cobrem 71% da superfície da Terra. Eles regulam o clima e fornecem diversos recursos essenciais e, em alguns casos, ainda intocáveis para o Homem. São fonte de alimento, matérias-primas, energia e transporte, e ainda são usados para recreação e lazer.

Hoje, mais de 40% da população global mora em regiões de até 200 km de distância do mar. Além disso, 12 entre 15 megalópoles são costeiras.

No entanto, o rápido desenvolvimento industrial e o aumento populacional desordenado têm impactado demais os oceanos. Mudança climática, exploração não sustentável de recursos naturais, poluição e degradação de habitat ameaçam a produtividade e a saúde das nossas águas.

Tempestades, proliferação de algas tóxicas e erosão de costa são apenas algumas das consequências disso e são devastadoras para comunidades que vivem em regiões litorâneas. Ao longo da evolução humana, nós criamos estratégias para aumentar a nossa resiliência a esses danos causados pelo mar. Mas até quando isso será suficiente?

Para se ter ideia, em 2015, a baixada santista registrou ventos de 106 km/h – um furacão leve apresenta velocidades de cerca de 115km/h – foi quase lá.  Com esses ventos, as cidades sofreram diversos estragos. Árvores e placas caídas, destelhamento e destruição de algumas construções. 

Em 2017, o vendaval voltou, deixando 38 mil imóveis sem luz, além de derrubar mais árvores e letreiros comerciais. No Porto de Santos (SP), o maior da América Latina,  um homem ficou preso em um guindaste. 

O fenômeno foi causado pelo fato da água do mar estar mais quente que o normal, gerando áreas de baixa pressão e criando instabilidades que permitem o desenvolvimento desses fortes ventos.

E não é só isso. Vamos pensar em comida:
Pesquisas mostram que mais de 50% das espécies de peixes consumidos para alimentação no mundo estão sendo exploradas acima do limite. Segundo um estudo de 2006, liderado por Boris Worm, da Universidade de Halifax, no Canadá, a previsão é de que estoques de peixes e de frutos do mar entrem em colapso até 2048 se nada for feito para conter a perda da biodiversidade marinha.

A sardinha brasileira (Sardinella brasiliensis) por exemplo, está muito presente na alimentação do brasileiro. É uma espécie extremamente importante para as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Rica em diversos nutrientes, ela sempre foi considerada um alimento de baixo custo e nutritivo. 

Mas já reparou como o preço dela subiu? Pois é, o seu estoque já colapsou duas vezes, nos anos de 1990 e 2000, por excesso de pesca. Além disso, a sardinha é uma espécie que sofre influência direta de variações ambientais que, somadas à pesca intensa, levam à depleção do estoque desses animais. Em 2016, a quantidade de sardinha pescada voltou a cair a níveis assustadores. Alguns especialistas, inclusive, caracterizaram o episódio como mais um colapso da espécie.

Essa escassez foi causada pelo aquecimento anormal das águas, processo que pode estar associado tanto ao fenômeno El Niño, que ocorreu naquele ano, como também às mudanças climáticas globais. Vale dizer que a instabilidade política do setor, com trocas constantes de ministros, extinção de ministérios e diminuição de investimentos, não ajuda em nada o cenário.

Agora imaginem se esses fenômenos como o El Niño tornam-se mais frequentes e mais intensos com as mudanças climáticas? Até quando as espécies resistirão?

Precisamos encontrar novas formas de utilizar os recursos naturais e utilizá-los de maneira consciente. No entanto, segundo estimativas da Comissão Intergovernamental Oceanográfica (IOC) da UNESCO, o gasto nacional médio com pesquisas oceanográficas varia de 0,04 a 4% do total investido em pesquisa e desenvolvimento. É muito pouco para conseguirmos estudos de alta qualidade, que envolvam processos de longo prazo. E pesquisas oceanográficas são caras, sim, pois exigem embarcações, navios, laboratórios a bordo, equipamentos, pessoas qualificadas...

Mas ainda há tempo de reverter essa situação. 

Cientistas e atores sociais vêm, aos poucos, organizando um movimento de conscientização que levou a Organização das Nações Unidas, em sua Assembleia Geral, em dezembro de 2017, a declarar a próxima década como a Década da Ciência do Mar para o Desenvolvimento Sustentável

A iniciativa visa encorajar novas ações para um sistema de observação mais integrado e sustentável dos oceanos para facilitar novas descobertas e o monitoramento da costa e de águas mais profundas, ampliando, assim, as pesquisas para promover a conservação dos oceanos e a gestão dos recursos naturais. As atividades para esse período serão de responsabilidade da Intergovernmental Oceanographic Commission (IOC) da UNESCO.

O processo foi longo. O Documento Final da Conferência Rio + 20, “The Future we want”, de 2012, fez uma extensa referência aos oceanos. Em 2013, a Global Ocean Commission foi criada e, em 2016, lançou o seu relatório relatando a degradação do oceano e a necessidade de políticas mais efetivas para ajudar a restaurar a saúde e produtividade dessas águas. A agenda de 2030 para o desenvolvimento sustentável, lançada pelo ONU em 2016, também destacou os oceanos como protagonistas para as ações de conservação.

Essa declaração da ONU é uma gota de esperança para um futuro mais sustentável, mas exige maior engajamento de pesquisadores, de políticos e governantes, e da população em geral. Mais pesquisas, incentivos e respeito são essenciais para podermos avançar no conhecimento que temos sobre as águas que nos cercam,  aproveitando melhor os recursos disponíveis e ainda para garantir a sua existência para as gerações futuras.

É fundamental encontrar soluções que nos permitam a entender as mudanças que estão ocorrendo e reverter a degradação antes que seja tarde demais.
A iniciativa da ONU pretende transformar a forma como a sociedade global enxerga e usa os mares, por isso  começa a coordenar as suas ações no sentido de fomentar a conservação e o uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos, como sugere o objetivo de número 14 do Sustainable Development Goals (SDG).

E para começar a prática, é essencial entender a falta de conhecimento que ainda temos quando o assunto é a imensidão azul:


  • Não existe uma metodologia internacionalmente aceita para estimar o valor econômico dos serviços providos pelos oceanos para a raça humana;
  • A ciência ainda não é capaz de avaliar os impactos cumulativos da mudança climática, da poluição marinha e das atividades antrópicas sobre a saúde do oceano;
  • Apenas 5% do fundo oceânico já foi mapeado
  • Mais de 250 milhões de km2 de área do fundo do oceano está em completa escuridão e pode ser moradia para até milhões de espécies ainda desconhecidas;
  • Apenas 3 pessoas exploraram o ponto mais profundo dos oceanos até o momento.

A próxima década será a nossa hora, como sociedade, de apoiar, exigir e celebrar novas conquistas para a saúde dos nossos oceanos, para que possamos, lá na frente, brindar os serviços e recursos disponíveis às futuras gerações.

Referências:


Global Ocean Commission. The Future of Our Ocean: Next steps and priorities Report. Disponível em http://www.some.ox.ac.uk/research/global-ocean-commission (Global Ocean Commission, 2016).


Ministério do Meio Ambiente. Plano de Gestão para o uso sustentável de Sardinha-Verdadeira no brasil. Fonte: Ibama: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/livros/planogestaosardinhaverdadeiradigital.pdf (2011).

UNESCO. United Nations Decade of Ocean Science for Sustainable Development (2021-2030) UNESCO press release. Disponível em https://en.unesco.org/ocean-decade (2017).


United Nations General Assembly. The future we want. Rio+20 conference outcome document A/RES/66/288. Disponível em https://sustainabledevelopment.un.org/futurewewant.html(United Nations, 2012).


United Nations General Assembly. Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development.A/RES/70/1 Disponível em http://www.un.org/sustainabledevelopment/development-agenda/ (United Nations, 2015).


Worm, B., Barbier, E., Beaumont, N., Duffy, J. E., Folke, C., Halpern, B., & J, J. Impacts of biodiversity loss on ocean ecosystem services. Disponível em http://science.sciencemag.org/content/314/5800/787.full (2006)

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O assoalho oceânico: margens continentais, bacias oceânicas e cordilheiras mesoceânicas

Por Jana M. del Favero


Esta figura mostra as principais feições batimétricas dos oceanos, ou seja, a “topografia” dos oceanos. Cor laranja - indica as águas rasas das margens continentais; cor amarela - indica as cordilheiras mesoceânicas; cor azul-escura - indica o fundo e as fossas oceânicas (Fonte: Pinet, P.R. 2014).


    Até a Segunda Guerra Mundial acreditava-se que o assoalho oceânico (ou seja, o fundo marinho) fosse plano e sem nenhuma característica marcante. Porém, após a guerra, uma nova tecnologia, a ecossondagem, permitiu que os pesquisadores começassem a explorar e mapear o fundo oceânico. 

    Na ecossondagem, um transmissor de som, montado na parte inferior de uma embarcação, envia um pulso sonoro para dentro da água. Este pulso é refletido pelo fundo e volta para a superfície do mar, onde é gravado por um dispositivo de escuta chamado hidrofone. 

     A profundidade da água é igual à metade do tempo de viagem do pulso sonoro (pois o tempo de viagem total considera o tempo gasto na ida e na volta), multiplicada pela velocidade do som na água (como quando calculamos a distância que percorremos em um carro quando sabemos a velocidade do veículo e o tempo que demoramos no percurso).



Ecossondagem (Adaptado de: Pinet, P.R. 2014)



   O que foi descoberto com a medição da profundidade dos oceanos (a batimetria) é que, assim como a topografia dos terrenos montanhosos que conhecemos, o assoalho oceânico também é irregular. Assim, de um modo geral, a batimetria dos oceanos pode ser subdividida em três grandes áreas: margens continentais, bacias oceânicas e cordilheiras meso-oceânicas, que descrevo a seguir.

Margens Continentais

     Para entender o que são margens continentais basta imaginar que as bacias oceânicas estão cheias demais de água, transbordando e inundando as margens dos continentes. Nos pontos de alagamento das bordas continentais (como as bordas de uma piscina), sedimentos erodidos dos continentes e transportados para a costa por rios e geleiras se acumulam e são moldados por processos oceânicos em uma vasta e espessa cunha sedimentar (depósito de sedimentos localizado acima de outro depósito): as margens continentais. Essa província oceanográfica é ainda dividida em três partes: 1) plataformas continentais - planícies “quase retas” com aproximadamente 60 km de largura; elas se iniciam nas bordas dos continentes e terminam em seu lado oceânico na quebra da plataforma, onde a inclinação do fundo do mar se acentua drasticamente; ocorrem geralmente a 130 m de profundidade; 2) talude continental - ocorre após a quebra da plataforma, apresentando um declive ainda mais acentuado; 3) elevação (ou sopé) continental - vasta planície submarina de sedimentos que ocorre na base de muitos taludes, quando a inclinação do fundo do oceano é reduzida.

A margem continental e suas subdivisões. Os cânions submarinos são cortes ao longo da margem continental (Adaptado de: Pinet, P.R. 2014).



Bacias oceanográficas


    Já as bacias oceanográficas se encontram além das margens continentais, e apresentam topografia variada, desde planícies até elevados picos montanhosos. Em cada bacia oceanográfica é possível encontrar as seguintes feições: 1) planícies abissais - áreas mais planas da Terra, encontradas em profundidades de 3 a 5 km; 2) colinas abissais - domos ou colinas alongadas, com alturas inferiores a 1000 m e largura variando entre 100 m a 100 km; 3) montes submarinos - muitos são vulcões ativos ou não, com topos cônicos e encostas íngremes que chegam a mais de 1000 m acima do assoalho marinho, mas não alcançam ou ultrapassam a superfície do oceano; 4) fossas oceânicas (ou abissais) - correspondem às regiões mais profundas da Terra. São relativamente íngremes, longas, com depressões estreitas, algumas são de 3 a 5 km mais profundas do que o assoalho oceânico ao redor.

A bacia oceânica e suas diversas composições. Os guyots são montes submarinos de topo achatado (Adaptado de: Pinet, P.R. 2014).




Cordilheiras meso-oceânicas



   Por fim, as cordilheiras meso-oceânicas são cadeias de montanhas submarinas conectadas uma a outra, representando o mais longo e mais contínuo cinturão de montanhas do mundo, estendendo-se por mais de 60.000 km. Elas são geologicamente ativas, caracterizadas por frequentes terremotos, muitas falhas e vulcanismo.

Cordilheira Meso-oceânica. Os flancos e as cristas das cordilheiras meso-oceânicas são deslocados por um sistema de fraturas (Adaptado de: Pinet, P.R. 2014).




Post relacionado



Fonte
Pinet, P.R. 2014. Invitation To Oceanography. 7a edição. Jones & Bartlett Learning. 662 p.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Uma breve história do Big-Bang ao alvorecer da vida: Parte II

Por Amanda Bendia


Sobre as condições essenciais para o surgimento da vida na Terra


   Os primeiros 400 milhões de anos da Terra foram hostis e

A Terra nos seus primórdios (concepção 
artística). https://room.eu.com/news/
possible-recipe-for-life-on-early-earth

desoladores: temperaturas de mais de 200ºC tornavam a crosta liquefeita e gases vulcânicos, especialmente CO2, eram lançados em grandes quantidades na atmosfera em formação. Conforme a Terra foi resfriando, a crosta tornou-se sólida e a temperatura mais baixa permitiu a presença de água líquida em sua superfície. Esse foi provavelmente um fator fundamental para o surgimento da vida.

   Além disso, as moléculas orgânicas, geradas na nebulosa que deu origem ao nosso Sistema Solar, sofreram reações químicas, resultaram em moléculas orgânicas ainda mais complexas, compostas especialmente por Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Fósforo e Enxofre. Esses foram os blocos de construção iniciais para as primeiras moléculas biológicas.

 
A origem da Lua: quando um corpo do tamanho de Marte colidiu com a Terra e formou o nosso satélite natural (concepção artística).
Fonte: http://www.gcseastronomy.co.uk/
space/earthmoonsun/origins.html

Outro evento importante que propiciou o desenvolvimento e manutenção da vida no planeta foi o impacto de um corpo do tamanho de Marte, logo no início da formação da Terra, que deu origem à nossa Lua. É curioso pensar que uma colisão com 100 milhões de vezes mais energia do que o impacto que extinguiu os dinossauros pode ter auxiliado o estabelecimento da vida durante a história do planeta. O que acontece é que a força gravitacional da Lua estabiliza a inclinação do eixo da Terra. Sem esta estabilidade, grandes mudanças climáticas ocorreriam, e possivelmente formas de vida complexas não teriam se desenvolvido.

  Outras características do nosso planeta também foram fundamentais para o surgimento e manutenção da vida, como a presença de um núcleo metálico, que gera um campo magnético e atua como um escudo protetor contra radiações cósmicas; a presença de um manto e sua movimentação abaixo da crosta promove as atividades tectônicas, vulcanismo e movimentações continentais.

     O vulcanismo, por sinal, foi muito importante para o surgimento da vida, uma vez que suas emissões gasosas forneceram nutrientes que podem ter sido utilizados pelos primeiros organismos unicelulares, como dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio. Os vulcões também ajudam na manutenção das condições climáticas do planeta e auxiliam na reciclagem do carbono que é, depois da emissão, utilizado pelos organismos vivos em seus processos metabólicos.

Gostou? Então, aguarde as cenas dos próximos capítulos!

Para acessar a Parte I, clique aqui!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Poluição marinha, microplásticos e ciência cidadã

Por Thaiane Santos


Sabia que tem plástico em todo lugar no mundo? Em praias, no meio dos oceanos, até nas regiões polares! O uso dos plásticos aumentou rapidamente durante o século 20 pelas suas características como baixo custo, alta durabilidade, flexibilidade, baixa densidade e por ser resistente ao calor. Essas características permitem várias formas de fabricação e usos. Pense em quantos tipos de plástico você conhece. Inúmeros né? Dê uma olhadinha no ambiente em que você está e veja quantos itens de plásticos tem por perto. Muitos! Quando um tipo de plástico não é reutilizado, e descartado de forma incorreta, ele pode chegar em praias e em mar aberto! Sabe aqueles pratinhos de isopor que a gente compra no supermercado? Assim, como todos os itens feitos de plástico, ele não some na natureza (https://goo.gl/9rT4JU)! Da mesma forma que o isopor, vários tipos de plástico têm baixo valor comercial para a reciclagem de cooperativas. Por isso são descartados junto com o lixo comum, de forma incorreta. 

Já se tem conhecimento de que o plástico presente nos oceanos pode ser resultado da falta de controle desses resíduos em terra (https://goo.gl/B1sShN). Quando o plástico está presente no meio marinho ele vai se quebrando em pedacinhos menores, dando origem aos microplásticos (http://batepapocomnetuno.blogspot.com.br/2017/05/pellets-e-microplastico-no-ambiente.html). Esses pedacinhos de plásticos nos oceanos representam um risco para os animais marinhos que podem ingerir ou aspirar essas partículas por engano. Estudos recentes comprovam que 73% dos peixes do oceano Atlântico ingerem microplásticos. Entre esses peixes são tipos comuns na nossa alimentação, como o atum (https://goo.gl/ddGax7). 

O fim dessa rota do plástico (casa >>  lixo >> oceano), quando não é a ingestão pelos animais marinhos, é o acúmulo em praias, e mais de 95% do lixo nas praias brasileiras é plástico (https://goo.gl/nHDKvx)! Saber para onde vai e de onde vem esses fragmentos plásticos é muito importante para avaliar o tamanho do impacto gerado no planeta por nós humanos, que coloca em risco o meio ambiente e a nossa própria saúde! Também ajuda na criação e implantação de políticas de monitoramento e soluções para o lixo marinho! O mais legal é que essa ajuda pode ser dada por qualquer pessoa disposta a pegar um pouquinho de areia em qualquer praia e enviar para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Esse tipo de pesquisa que conta com uma mãozinha da sociedade é chamado ciência cidadã. É uma forma nova de fazer ciência pelas universidades, envolvendo o meio acadêmico com pesquisadores e a participação popular. Esses estudos têm como ator importante o cidadão voluntário que pode ajudar a fazer ciência em qualquer lugar do mundo gastando bem pouquinho. Já pensou como seria difícil uma pessoa ficar viajando pelo país para pegar um pouquinho de areia nesse mundão de praias que existem? Com a ciência cidadã todo mundo pode colaborar, fazendo sua parte na coleta de dados colaborativos sobre lixo marinho no mundo e ainda ser um cidadão cientista! 

A gente aqui do LEGECE (Laboratório de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos) na UFPE criou o projeto “Poluição marinha, microplásticos e ciência cidadã” para fazer esse estudo de monitoramento de lixo marinho. Quer saber como colaborar? É bem fácil! Dá para curtir uma praia e ainda dar uma mãozinha pra gente! Basicamente a gente precisa que você pegue 3 amostras de areia que são raspadas de forma bem superficial numa área específica. Antes de pegar a areia precisamos que você posicione o celular na altura do quadril (foto 1) e depois na altura dos joelhos (foto 2) para fotografar a área onde vai pegar a areia. Depois é só guardar a areia e enviar pra gente junto com as fotos. 

Aqui tem algumas instruções: 

A areia deve ser coletada na linha do deixa (aquela marquinha na areia onde ficam acumulados folhas, conchas, algas, galhos e todo tipo de lixo, inclusive vários tipos de plásticos!). Depois é só marcar na areia com uma régua um quadrado (30 x 30 cm). Aí tira foto da área marcada nas duas alturas (quadril e joelhos) com o seu celular mesmo. O único cuidado é não fazer sombra dentro do quadrado na hora da foto. Ah, e não tem hora e nenhuma maré específica para coletar a areia. Recomendamos fazer isso pela manhã para sair uma foto com luz boa, sem sombra, já que durante a tarde uma luz forte ou baixa do sol não ajuda a tirar uma foto legal da areia. 


Em seguida, com ajuda de uma pá ou espátula, raspe a areia e guarde em saquinhos com fechamento do tipo “ziplocks”. Não indicamos usar colher porque cava a areia e acaba pegando mais do que precisamos. Queremos aquela parte bem superficial, bem pouquinha areia, raspada de forma bem leve. Tudo o que tiver dentro do quadrado tem que ser guardado dentro do saquinho (folha, canudinho, tampinhas, isopor etc). Se não tiver esses saquinhos pode usar de outro tipo (o que tiver em casa), também pode usar embalagem de marmita de alumínio que é bem levinha pra carregar. 


Você vai repetir isso em 3 áreas. A distância entre os 3 pontos é variável, depende do tipo de praia (se é uma praia larga ou uma praia estreita), pode ser de 10 a 15 passos. As 3 áreas de coleta (3 quadrados) são 3 amostras diferentes que devem ser guardadas em embalagens separadas e identificadas (amostra 1, amostra 2, amostra 3). Só mais uma coisinha: observe se nos dias anteriores à sua ida à praia teve alguma chuva forte, que causa ondas mais fortes podendo deixar mais resíduos na praia. É importante notar se é uma praia limpa, se está suja, se tem alguma fonte de lixo visível, bares e restaurantes (praia turística), esgoto (praia urbana), ou é uma praia mais deserta, com natureza preservada. Depois da ajuda, quando tiver com os saquinhos de areia, entre em contato com a gente para combinar como vamos pegar as amostras e as informações que precisamos. 

Vamos ajudar a ciência e a natureza? Se torne um colaborador voluntário! 

Contato:
microplasticscience@gmail.com
thaay.santos@gmail.com
mfc@ufpe.br 
https://www.facebook.com/thaiane.santos.23
https://www.facebook.com/LegeceOceanografiaUFPE/?pnref=lhc
https://microplasticscience.wixsite.com/citizensciencemps

Sobre a autora:

Oceanógrafa pela Universidade Federal do Pará, atuou no Laboratório de Biologia Pesqueira e Manejo dos Recursos Aquáticos e tem experiência em estudos com biomarcadores bioquímicos por atuar no Laboratório de Toxicologia fazendo pesquisa de poluição aquática e estresse oxidativo em vertebrados e invertebrados estuarinos da Amazônia.  Atualmente é mestranda na Universidade Federal de Pernambuco, faz parte do grupo LEGECE (Lab. de Ecologia e Gerenciamento de Ecossistemas Estuarinos e Costeiros) onde trabalha com monitoramento de microplásticos em praias desenvolvendo metodologia de citizen science. 

terça-feira, 13 de março de 2018

XIII Semana Temática de Oceanografia


A Semana Temática de Oceanografia é um evento organizado anualmente pelos alunos de graduação do IOUSP, com o intuito de difundir o conhecimento interdisciplinar de Oceanografia e das ciências do mar em geral, assim como promover discussões, reflexões a cerca dos assuntos de relevância social e científica.

XII STO - 2017
Em 2018,  a décima terceira edição da Semana Temática de Oceanografia será realizada durante o período de 07 a 11 de maio e terá como tema principal a divulgação das ciências do mar, abordado por meio de palestras, mesas redondas e minicursos, envolvendo profissionais que atuam nas áreas de ciências da terra, como oceanografia, meteorologia, e também profissionais de outras áreas que atuam em situações características à área de oceanografia. 

Tendo em vista a situação delicada em que se encontra a ciência, de modo geral, no cenário político e econômico do país, pretendemos promover com a XIII STO a interação entre os estudantes que hoje vislumbram um futuro nas ciências marinhas e aqueles que já atuam como cientistas, e que por meio da exposição de seus trabalhos, conhecimentos e vivências, possam inspirar e abrir caminhos antes obscuros para estes futuros cientistas.



Para mais informações: https://www.stoiousp.com.br/

quinta-feira, 8 de março de 2018

Marisqueiras

Por Gabrielle Souza 



Ilustração: Joana Ho



   Na construção histórica social, as profissões sempre foram divididas entre os sexos feminino e masculino, ou seja, determinadas atividades eram vistas como apropriadas para homens, enquanto outras que não exigiam muito esforço físico, geralmente na área do cuidado (dona de casa, professora, enfermeira, etc) para mulheres. Assim muitas de nós sempre fomos desencorajadas a realizar determinadas funções, pois reza a lenda que somos biologicamente “mais frágeis e menos inteligentes”.

    A partir daí já dá para ver que toda essa questão não passa de uma desculpa do patriarcado né?!

     Mas você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar com isso. Bom, o que eu quero dizer é que, a cada dia que passa, estas relações de profissões direcionadas para determinados indivíduos estão caindo por terra e que, nós mulheres, estamos mostrando que podemos estar sim, em funções e cargos reconhecidos como “masculinizados”.

   Um grande exemplo disso são as mulheres marisqueiras. Elas estão espalhadas por todo o litoral do Brasil e realizam uma atividade chamada de mariscagem. A mariscagem consiste no processo de captura contínua de mariscos de forma artesanal, seja em regime de economia familiar ou autônoma, para seu próprio sustento ou comercialização. 

    Os mariscos retirados nessa atividade geralmente são capturados em bancos de lama ou areia, que localizam-se nos mangues ou próximo a eles. A captura se dá de diversas formas, porém a mais comum é a catação manual, onde as mulheres raspam a areia com o auxílio de uma colher até encontrar o marisco.



   Esta atividade inicialmente era realizada por homens, pescadores, que diante da sociedade seriam os mais aptos para o processo, pois são fortes e aguentam idas aos mares e mangues para obter o sustento da família. Enquanto o tratamento da captura sempre foi feito pelas mulheres, ou seja, são elas que limpam os peixes e mariscos que seus maridos, irmãos, tios, pais trazem do mar. 


     Mais recentemente, as mulheres começaram a assumir também o papel de extração dos mariscos. Porém, esta atividade é simplesmente invisível, apesar de extremamente importante, social e economicamente falando. A partir disso, só podemos concluir que, pelo simples fato de serem mulheres, não existe reconhecimento de seus direitos diante da profissão que exercem, seja por seus companheiros e familiares, como também pelo Estado, por meio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que garante a aposentadoria e outro direitos. A falta destes direitos trabalhistas faz com que estas mulheres trabalhem em condições inadequadas, em geral com carga horária exacerbada da jornada de trabalho.

     Existem estudos que realizam um perfil social dessas mulheres, criando um panorama de aspectos socioeconômicos e de como elas se sentem sobre as situações que enfrentam. Um desses trabalhos foi realizado na Comunidade de Barra Grande, município de Cajueiro da Praia - Piauí, com uma faixa de 4 km de praia, que por decreto federal é uma Unidade Conservação, e está na categoria de uso sustentável. A grande parte das marisqueiras está na faixa etária entre 30 e 60 anos, sendo a média de idade de 42 anos. A falta de escolaridade é alta, as mulheres que cursaram o ensino fundamental incompleto correspondem a 34,92%, e quando somadas as não escolarizadas (17,46%) elevam ainda mais o percentual. A situação conjugal é predominantemente de mulheres casadas (44,44%), seguidas das que moram junto (28,57%), e a média de filhos é de quatro,havendo uma variação de zero a doze filhos. 


    Muitas dessas mulheres realizam outras atividades para auxiliar na renda mensal da família, como por exemplo: lavadeiras, rendistas, cozinheiras etc. Além de contarem suas histórias de vida, opinam sobre os problemas que enfrentam. Estes estão relacionados principalmente às condições de trabalho, e às questões burocráticas, solicitando a criação de um associação própria de mulheres marisqueiras, pois elas se sentem excluídas das colônias de pescadores que já existem no território.

   Além disso, as marisqueiras travam uma luta diária contra o machismo. Mas quem disse que elas desistem?! Um exemplo prático dessa luta, além da persistência em trabalhar mesmo diante de tantas dificuldades, é o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 47/2017. Este projeto define a profissão de marisqueira e suas competências além das responsabilidade que o poder público tem nas ações desenvolvidas pelas trabalhadoras, assegurando seus direitos e deveres. 

    As mulheres vêm conquistando o seu lugar na sociedade e dentro das organizações de trabalho, lugar que é seu por direito. Mas ainda reconhecemos que há muito a ser feito para que conquistemos uma forma igualitária de tratamento entre homens e mulheres. Valorizar o trabalho das mulheres marisqueiras é também valorizar a preservação da natureza, é reconhecer de forma justa um trabalho que é realizado com carinho, amor e dedicação.



Vídeos recomendados:
https://vimeo.com/96543725

https://projetosereias.com/videos/


Para saber mais:
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/31/politica-de-apoio-a-atividade-de-mulheres-marisqueiras-sera-analisada-na-cdh




Referências Bibliográficas


FREITAS, Simone Tupinambá et al. Conhecimento tradicional das marisqueiras de Barra Grande, área de proteção ambiental do delta do Rio Parnaíba, Piauí, Brasil. Ambiente & Sociedade, [s.l.], v. 15, n. 2, p.91-112, ago. 2012. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-753x2012000200006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2012000200006>. Acesso em: 01 mar. 2018

 Diário do Nordeste. Marisqueiras reivindicam seus direitos. 2003. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/marisqueiras-reivindicam-seus-direitos-1.370455>. Acesso em: 01 mar. 2018.

Senado Notícias. Política de apoio à atividade de mulheres marisqueiras será analisada na CDH. 2017. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/31/politica-de-apoio-a-atividade-de-mulheres-marisqueiras-sera-analisada-na-cdh>. Acesso em: 01 mar. 2018.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Como formar bons cientistas?

Fonte: http://noticias.universia.com.br/educacao/noticia/2017/07/24/1154537/
dia-nacional-ciencia-ainda-algo-comemorar.html

Mês passado, começaram as minhas aulas do Mestrado em Oceanografia Química pela Universidade de São Paulo (USP). A primeira disciplina dessa nova etapa será dada de forma condensada, em período integral durante o mês de fevereiro. Com o nome de Oficina de Projetos em Oceanografia, essa matéria surgiu como uma maneira de auxiliar os alunos a elaborarem o projeto de pesquisa a ser desenvolvido ao longo desses dois anos de pós-graduação.
Pois bem.
A aula começou com uma reflexão sobre a ciência de maneira geral e foi afunilando até chegarmos no cenário da ciência brasileira e na carreira de pesquisador.
A discussão foi acerca dos requisitos para ser ou para formar um bom pesquisador.
Ser cientista não é fácil em nenhum lugar do mundo. A ciência exige muita dedicação, horas e mais horas de estudos, persistência e coragem para encarar o desafio de mergulhar no desconhecido com a esperança de emergir com algo novo e relevante.
No Brasil, a situação do cientista consegue ficar ainda pior. Em um país onde a ciência sofre um corte de 44% da sua verba prevista, não é difícil imaginar que a nossa discussão não foi muito animadora. Obstáculos e mais obstáculos foram destaque do nosso debate.
Não chegamos a nenhum consenso. O buraco brasileiro é muito mais embaixo.
Educação, incentivo, divulgação, reconhecimento, valorização, conscientização da sociedade, transparência na prestação de contas com o investimento recebido, melhores condições de trabalho, bolsas-auxílio compatíveis com suas necessidades...
E por aí vai – e fomos – num brainstorm, tentando colocar em uma ordem lógica qual é a solução do Brasil para formar bons cientistas.
O máximo que conseguimos obter foi a divisão dessas “palavras” em dois grupos maiores: EDUCAÇÃO & INCENTIVO


A educação deve vir desde a escola, estimulando a curiosidade e a sede pelo conhecimento. O incentivo deve vir para permitir a permanência desse cientista nessa carreira.


Ao final da aula, o professor pediu a todos nós que elaborássemos um texto bem sintetizado sobre como formar um bom pesquisador e entregássemos para ele no dia seguinte.
Fiz o meu e entreguei. Confesso que não foi fácil concatenar o pensamento e encontrar uma linha de raciocínio que fosse capaz de solucionar esse enigma. Por isso, gostaria de compartilhá-lo com vocês, para fomentar essa discussão e ouvir vozes de fora.
Segue abaixo:


Como formar um bom pesquisador?
“Primeiro a paixão, depois o treino”, disse Edward O. Wilson em Letters to a Young Scientist. Ser cientista – ou pesquisador – vem de uma curiosidade natural de querer entender o mundo que nós vivemos. Talvez você queira saber como o Universo surgiu, ou como construir um supercomputador. Talvez seu interesse esteja em compreender o corpo humano ou os ecossistemas. Seja qual for a sua pergunta, a ciência te ajudará com a resposta. E essas motivação e paixão são essenciais, porque ser cientista não é nada fácil. Faltam auxílios, incentivos, estrutura, tecnologia, e muitas vezes – para não falar sempre – não recebemos o devido reconhecimento.
Considerando que essa motivação e essa curiosidade já estejam em você, como é possível se tornar um bom cientista?
Para começar, vamos considerar o cenário brasileiro, onde vivemos. Fica mais complicado falar sobre como as coisas funcionam lá fora. Aqui, podemos fazer um plano dividido em duas vertentes principais: educação e incentivo. O início deveria ser a educação básica. Na escola, o aluno deve receber o ensino das principais disciplinas: matemática, física, história, geografia, literatura...parece óbvio, mas sabemos que no Brasil, esse óbvio é utópico. Além disso, esse aluno deve ser estimulado a pensar nos processos e nos fenômenos que o cercam. Sua curiosidade deve ser instigada e desafiada: a ciência deve ser apresentada como uma matéria possível e cotidiana. Criar feiras de ciência, desenvolver projetos científicos, desenvolver modelos, maquetes e robôs, e falar sobre cientistas renomados e suas descobertas é um bom caminho para abrir os olhos da geração futura. Fomentar a pré-iniciação científica também vale. Assim, nesses anos de colégio, o aluno conseguirá definir se tem esse perfil para a ciência e o seu próximo passo será na Universidade. Agora, passar numa boa Universidade é trivial para o bom desenvolvimento do pesquisador. É preciso se preparar para o vestibular e usar toda aquela bagagem construída com a educação básica.
Uma vez na Universidade, a sua jornada está apenas começando. Aqui dentro, o aluno deveria receber, além das disciplinas tradicionais do curso escolhido, uma educação científica, na qual ele aprenderia, desde o princípio, todo o método científico: como elaborar uma hipótese, como procurar bibliografia, como consultar outros materiais de referência, entre outras coisas. É importante ressaltar que o responsável por dar essa educação é o docente, que também deve passar por treinamentos e capacitações que o auxiliem na forma de transmitir o seu conhecimento para o aluno, didática e estratégia pedagógica adequadas. A Universidade deveria oferecer esse tipo de capacitação.
Junto a essa formação acadêmica, o aluno deve ter consciência dos incentivos existentes para o desenvolvimento de sua carreira como pesquisador. A Universidade deve investir em extensão para aproximar a ciência da sociedade, mostrar a importância e a utilidade daquilo que se faz em laboratório para o bem geral. Também deve oferecer uma estrutura adequada para o pesquisador desenvolver a sua pesquisa, com laboratórios, equipamentos e materiais em bom estado. Somado a isso, deve-se pensar em políticas de permanência: o pesquisador deve ter como se manter, manter suas necessidades básicas, enquanto desenvolve o seu projeto. Agências de fomento são cruciais para isso, oferecendo bolsas de auxílio suficientes para cobrir os gastos de moradia, de alimentação e outros desse cientista. Podemos também discutir a questão de planos de saúde e de previdência para esse pesquisador. Todos esses benefícios não são luxo, mas, sim, formas de valorizar essa carreira e considerá-la uma profissão útil e necessária como qualquer outra. Não é porque o pesquisador faz, no seu dia-a-dia, algo que gosta,que  ele não mereça ser visto como um profissional, como alguém que contribui para o desenvolvimento da sociedade como qualquer outro trabalhador. Aliás, sem ciência não há sociedade. O desenvolvimento da ciência é o que faz o ser-humano crescer, criar coisas novas e evoluir. E para garantir que isso seja feito de uma maneira adequada e de qualidade, valorizar e reconhecer aqueles que se dispõem a fazê-lo é vital.

Por fim, não podemos esquecer que pesquisador, antes de mais nada, é humano, e tem suas carências e limitações como tal. Ele não pode trabalhar sem parar, inclusive finais de semana, apenas com a justificativa de estar trabalhando com o que gosta. A sua saúde mental depende de uma regulamentação dessa atividade. Conciliar a sua vida pessoa com a vida dentro do laboratório é imprescindível para a formação de um bom pesquisador.